ONPT realça necessidade de Serviço Vocacionado para a Pastoral do Turismo na Estrutura do Vaticano

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«Seria muito importante que o Vaticano, na estrutura do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, pudesse ter um grupo de trabalho que abordasse os temas ligados à Pastoral do Turismo e que pudesse permitir a troca de boas páticas, bem como a definição de orientações específicas», salientou o Padre Miguel Neto, diretor da Obra Nacional da Pastoral do Turismo (ONPT), numa reunião tida hoje com a presença do cardeal Peter Turkson, prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, bem como dos responsáveis de Itália (Pe. Gionatan de Marco) e Espanha (Pe. Gustavo Riveiro D'Angelo) pela Pastoral do Turismo.

Acompanhado de outros dois membros da equipa da ONPT (Sandra Côrtes-Moreira e Margarida Franca), o sacerdote português congratulou-se com a possibilidade de estabelecimento de contactos com os demais responsáveis europeus por esta área pastoral. «Creio que esta primeira reunião nos abre portas para a realização de atividades partilhadas, de forma que possamos, verdadeiramente, encontrar respostas que possam ajudar neste tempo difícil de crise provocada pela pandemia da Covid 19», salientou Miguel Neto.

Durante a reunião todos os participantes foram unânimes aos apresentar aos responsáveis do vaticano a necessidade de haver momentos de reflexão conjuntos e de rever alguns dos documentos que estão em uso na área, nomeadamente as ORIENTAMENTI PER LA PASTORALE DEL TURISMO, que foram apresentadas em 2001 e que são, por isso, completamente datadas e desatualizadas.

Sandra Côrtes-Moreira e Margarida Franca apresentaram algumas das ações que estão a ser preparadas pela ONPT e, sobretudo, salientaram as dificuldades que se vivem neste momento, mais ainda, nas pequenas paróquias e comunidades que ficaram sem meios de subsistência, anteriormente vindos das visitas de turistas. «Em Coimbra, por exemplo, há comunidades que vivem momentos difíceis, pois os rendimentos provinham maioritariamente das pessoas que visitavam e, agora, não há visitas», contou Margarida Franca, que também integra a equipa da Pastoral do Turismo da Diocese de Coimbra. «No Algarve vivem-se situações idênticas, com pessoas a atravessarem problemas sérios e a terem de encerrar os seus pequenos negócios, que sobreviviam porque apoiavam a indústria turística», reforçou Sandra Côrtes-Moreira e prosseguiu: «Estas comunidades criaram, em alguns casos, projetos que permitiram a criação de empregos, a salvaguarda do património e estão com dificuldades. Terá de haver uma palavra do Vaticano para as Conferências Episcopais e destas para as Dioceses, de modo que os Párocos e suas comunidades não desistam dos projetos que estão em marcha, que esses sejam considerados como fonte de criação permanente de rendimentos e não de caridade de emergência».

A ONPT apresentou um documento síntese das suas preocupações a todos os participantes na reunião, onde apontava, ainda, para o facto de a retoma dos níveis de 2019 ligados ao sector não acontecer antes de 2024 ou 2025. Haverá segmentos que recuperarão mais depressa, desde logo o turismo nacional, ou o de proximidade (viagens de carro ou comboio), em especial no segmento de lazer, sol e praia e natureza, mas a recuperação dos destinos que dependem das viagens transcontinentais, do segmento corporativo, seja o individual, seja o de grupo será muito mais lento

A questão do "turismo responsável", com "respeito pelo meio ambiente e pelas culturas" também foi considerada, no documento da ONPT, como fundamental, importando clarificar os aspetos funcionais do conceito, com aplicação quotidiana, não deixando tudo em aberto, porque para dentro da própria Igreja, essa falta de concretização acaba por tornar a ação das equipas de Pastoral do Turismo vaga e desvalorizada. Diz a ONPT: «A Igreja tem de ser proativa e tem de sensibilizar no seu interior para a valorização de práticas que promovam o desenvolvimento, a tal "ecologia integral": criar recursos, respeitar o homem e a natureza, mas gerando bem-estar e sustentabilidade a todos os níveis. Todavia, se não houver orientações expressas do Vaticano será sempre desvalorizado como última esfera de ação pastoral».

Fruto desta reunião, podemos adiantar que os dois responsáveis das Pastorais Espanhola e Portuguesa já estabeleceram contacto mais próximo e direto e que já há algumas datas previstas de encontro, para melhor aprofundar sinergias e projetos que possam ser comuns. 

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