Silves | Comemorações do "Dia do Município"

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A Câmara Municipal de Silves (CMS) assinalou o “Dia do Município” com uma sessão de homenagem a atletas, instituições e personalidades do concelho, que teve lugar no Castelo de Silves, no dia 2 de setembro.

Esta homenagem permitiu destacar os praticantes de atividades desportivas que ao longo do último ano se sagraram campeões em diferentes modalidades. As Distinções de Mérito Municipal foram atribuídas a personalidades e instituições que, com o intuito da prossecução do bem comum, contribuíram para o engrandecimento e dignificação do Município.

Assim foram atribuídas distinções às seguintes pessoas/instituições:

  • Distinção Municipal - Prémio Instituição: Silves Futebol Clube e Escola Secundária de Silves;
  • Distinção Municipal – Prémio Intervenção Cívica: Capitão José Inácio da Costa Martins - Capitão de Abril (Homenagem Póstuma); António Estrela – Resistente Antifascista, dirigente do PCP, Corticeiro, comerciante (Homenagem Póstuma); José António Correia Viola – resistente antifascista, autarca, ex-Presidente da Câmara Municipal de Silves; Dr. Vitor José Cabrita Neto – resistente antifascista, político, ex-Secretário de Estado do Turismo, dirigente associativo;
  • Distinção Municipal – Prémio Arte e Cultura: Teodomiro Cabrita Neto – historiador, professor, jornalista, dramaturgo, ensaísta; Dr. João Manuel Rocha de Sousa – Artista Plástico, Professor, Crítico de Arte, Escritor;
  • Distinção Municipal – Prémio Jovem Revelação: Rodrigo Gomes - licenciado em Escultura pela Universidade de Évora, pós-graduado em Arte Sonora e mestre em Multimédia pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Tem formação em Design de Comunicação Multimédia, que tirou na ETIC Algarve. Foi o vencedor da 2ª Edição do Prémio Sonae Media Arte, 2017 com o projeto Estivador de Imagens.

A atividade terminou com um concerto em que atuaram a Banda da Sociedade Filarmónica Silvense e o músico Rogério Charraz e os Irrevogáveis.

Recordamos que o dia 3 de setembro assinala a data em que se completam 830 anos sobre a conquista da cidade, ocorrida em 1189, sob o comando do Rei D. Sancho I.

SOBRE OS DISTINGUIDOS:

  1. Distinção Municipal - Prémio Instituição
  • Silves Futebol Clube

Esta distinção é atribuída pelo trabalho desenvolvido, ao longo dos seus 100 anos de existência, em prol do associativismo e do desporto para todos, fomentando a prática desportiva e hábitos de vida saudável, especialmente junto dos mais jovens.

O Silves Futebol Clube é uma força viva da cidade, mobilizando diariamente dezenas de atletas nas modalidades que abraça, levando o nome de Silves muito para além das suas fronteiras naturais.

Através do Silves Futebol Clube, muitos dirigentes desenvolveram, pela sua entrega aos projetos implementados, as suas capacidades na coordenação do trabalho associativo; largos milhares de jovens tiveram acesso à prática desportiva, tendo muitos deles se transformado em campeões; muitos treinadores desenvolveram as suas capacidades na orientação dos atletas para que cada um atingisse o seu melhor. Em conjunto se venceram adversidades, focando no serviço à comunidade como objetivo maior.

A autarquia considera de grande importância o trabalho prestado por esta coletividade, que ao longo do seu tempo de vida contribuiu decisivamente para que se dignifique o concelho, se promova o espírito desportivo e se fomente a intervenção cívica e o associativismo.

  • Escola Secundária de Silves

A Escola Secundária de Silves, instituição que se afirma como um pilar fundamental da educação dos jovens do concelho, sendo uma grande referência também na vida social e cultural da cidade, celebra este ano o seu centenário.

A Escola Elementar de Comércio e Indústria João de Deus, na cidade de Silves, foi criada por lei datada de 23 de setembro de 1919 e inaugurada a 5 de outubro de 1920, colmatando a inexistência de estabelecimento oficial de ensino no barlavento algarvio, sendo uma filha dos ideais da 1ª República. Para a sua criação foi decisivo, já na altura, o esforço desenvolvido pela Câmara Municipal de Silves que reforçou o seu orçamento e disponibilizou as instalações para o seu funcionamento.

A sua denominação mudou pouco tempo depois da sua criação para Escola Industrial e Comercial João de Deus. Posteriormente passou a chamar-se Escola Industrial e Comercial de Silves e finalmente, após o 25 de Abril de 1974, mudou o nome para Escola Secundária de Silves, sua atual designação. Manteve ao longo da sua existência uma postura democrática no ensino.

Ao longo dos anos muitos deram corpo ao seu projeto pedagógico, sendo de sublinhar o Dr. Maurício Monteiro que aventou a ideia da sua criação, bem como o Pintor Samora Barros e Henrique Martins, que o secundaram no projeto. A ação política dos deputados municipais João Estêvão Águas e F. J. Velhinho Correia permitiram avançar com a sua criação, sendo definido que se destinaria a servir a população de Silves e os concelhos limítrofes de Lagoa, Albufeira, Portimão e Monchique. Foi assim, desde o seu arranque uma escola de referência em toda a zona central do Algarve, contribuindo de forma decisiva para o desenvolvimento social, económico e cultural da cidade de Silves e de todo o barlavento algarvio.

Para patrono da Escola foi escolhido JOÃO DE DEUS, autor da “Cartilha Maternal”, personalidade natural do concelho.

De entre os muitos alunos ilustres, contou-se a artista plástica Maria Keil do Amaral e o ilustre político, resistente antifascista e sindicalista José Rodrigues Vitoriano.

Ao longo dos seus 100 anos de existência foi consolidando o seu projeto pedagógico e marcando a sua posição, quer a nível regional quer nacional, enquanto referência de qualidade na formação dos jovens.

  1. Distinção Municipal – Prémio Intervenção Cívica

Pelo seu sentido cívico, empenho na luta pela liberdade e democracia, e pelo trabalho • Capitão José Inácio da Costa Martins - Capitão de Abril (Homenagem Póstuma)

Nasceu em São Bartolomeu de Messines em 1938, tendo sido militar de carreira, na qual ingressou após o cumprimento do serviço militar obrigatório, na especialidade de piloto aviador.

Defensor das liberdades democráticas e defensor da verdade e da justiça, foi um dos grandes apoiantes da candidatura do General Humberto Delgado à Presidência da República. Esta manifestação de ideias sem reservas, nomeadamente a discordância da politica do antigo regime e forma como estava a ser conduzida a guerra colonial e a falta de solução para o problema ultramarino, custou-lhe várias dificuldades, entraves e punições na persecução da sua carreira militar, apesar do seu desempenho brilhante nas provas a que foi sujeito e teve de recorrer por diversas vezes aos Tribunais, para garantir a sua reintegração no serviço ativo e promoção com a antiguidade que lhe era devida. Foi, aliás, o primeiro oficial dos três ramos das Forças Armadas a ser alvo de uma medida repressiva por participação na preparação do 25 de Abril.

Do mesmo modo, foi um dos principais organizadores do MFA na Força Aérea, sendo da sua responsabilidade muitas ações fundamentais na preparação da revolução, nomeadamente: preparou os envelopes lacrados com as ordens de missão que deveriam ser distribuídos pelas Unidades Militares, garantiu o fornecimento do armamento para montar a defesa da casa do general Spínola, assegurou a tomada do Rádio Clube Português e que a “senha” relativa à canção “E depois do Adeus” de Paulo de Carvalho seria emitida pelos emissores Associados de Lisboa às 22h55 de 24 de Abril de 1974, garantido também a emissão da segunda “senha” indicadora do desencadeamento do golpe, alusiva à canção “Grândola Vila Morena” de Zeca Afonso.

Na noite de 24 de Abril de 1974 teve ainda a seu cargo a ocupação do Aeroporto de Lisboa e a interdição do espaço aéreo português, um dos pontos estratégicos para a vitória da revolução. Fê-lo sozinho, sem o apoio de ninguém, visto que os reforços só chegaram mais tarde, dizendo no entanto que a zona estava cercada por forças militares. Começou, assim, a “neutralização” da Força Aérea, fundamental para o sucesso da ação dos militares. Após o controlo do espaço aéreo e de meios da Força Aérea, mandou avançar, ao início da tarde, de Tancos para o aeroporto de Lisboa, o regimento de paraquedistas, que foram colocados sob seu comando, substituídos, posteriormente, pelo Regimento de Comandos. Foi ainda responsável pelo embarque para a Madeira dos ex-Presidentes da República e concelho de Ministros e dos ex-Ministros da Defesa e do interior.

Membro da Comissão Coordenadora, do Conselho de Estado, do Conselho da Revolução e do Conselho dos Vinte, o capitão Costa Martins, foi também Ministro do Trabalho no II, III, IV e V Governos Provisórios, liderados pelo primeiro-ministro Vasco Gonçalves, tendo desenvolvido uma importante ação legisladora.

No exercício do cargo foi responsável por medidas fundamentais para a melhoria das condições de vida dos trabalhadores, nomeadamente, o subsídio de férias e as pensões. Foi detentor da pasta até setembro de 1975, altura em que Vasco Gonçalves sai da função de primeiro-ministro, e após o golpe de 25 de Novembro de 1975, o capitão abandonou o cargo e o país, tendo sido mesmo expulso da Força Aérea. Para se proteger acabou por ter de sair de Portugal com destino a Angola, sob a proteção do então Presidente da República Agostinho Neto. Ai promoveu o aprofundamento das relações entre os dois países, a nível cultural e económico, mas, alvo de uma campanha difamatória, acabaria por ser preso e condenado à morte em Angola. Devido à intercedência de várias personalidades portuguesas, os responsáveis angolanos reconhecem o erro e regressa a Portugal em maio de 1978, iniciando um processo de reposição da verdade numa longa batalha judicial contra o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea- CEMFA e o estado português, que acaba por ganhar e consegue repor a sua antiguidade na carreira, sendo promovido a coronel e colocado no Estado-Maior da Força Aérea.

Agraciado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade por decisão unanime dos operacionais do 25 de Abril, não tendo sido convocado para a cerimónia por oposição do CEMFA (contrário ao 25 de Abril), recebeu em sua casa o diploma sem insígnias, que lhe foram entregues por estafeta (caso único), situação apenas corrigida pelo Presidente da República Jorge Sampaio.

Passou à reserva em 1996 e, em 2000, à situação de reforma, mantendo a sua participação ativa na luta pela defesa dos ideais que sempre defendeu. Referindo-se à importância do 25 de Abril, disse numa entrevista ao jornal concelhio Terra Ruiva: «O 25 de Abril, para mim, é uma forma de estar na vida».

Faleceu a 6 de março de 2010, vítima duma queda de avioneta em Ciborro, Montemor-o-Novo.

  • António Estrela – Resistente Antifascista, dirigente do PCP, Corticeiro, Comerciante (Homenagem Póstuma)

António Estrela nasceu em Silves, a 1 de abril de 1910, no seio de uma família de corticeiros. Cedo se iniciou no mundo do trabalho na Fábrica do Inglês, onde trabalhavam familiares seus.

Frequentou a escola da Associação dos Corticeiros até à 3ª classe, não concluindo a instrução primária, porque, como era frequente naqueles tempos, bem cedo havia que começar a contribuir para o orçamento familiar. Iniciou o estudo de Esperanto, a que se dedicou durante largos anos.

António Estrela era um admirador de Domingos dos Santos Passarinho, Presidente da Associação de Classe Corticeira. Assim, bastante novo, integrou-se no movimento operário da cidade caracterizado pelo anarco-sindicalismo. A sua intervenção política iniciou-se no contexto da repressão operária ocorrida em junho de 1924. Com 14 anos assistiu à carga de cavalaria que carregou sobre a manifestação operária, na qual o seu pai ficou ferido.

Como outros jovens corticeiros afastou-se do anarco-sindicalismo, rendendo-se ao comunismo. Neste contexto, foi um dos mais importantes dirigentes comunistas nos anos 30 em Silves e, sem dúvida alguma, aquele que, ao nível operário, maior destaque teve na preparação do 18 de Janeiro, cabendo-lhe a organização local e a orientação das reuniões clandestinas, bem como os contactos com o Comité Regional da greve.

Foi preso a 20 de fevereiro de 1934 em Silves, transitando no dia seguinte para o Comando da Polícia de Faro, acusado de “fazer propaganda de ideias subversivas” e de ter mandado “fazer uma porção de tubos de ferro, para serem carregados com dinamite”.

Enviado para a Polícia de Vigilância e Defesa do Estado - PVDE, em Lisboa, ficou detido no Forte da Trafaria, aguardando o julgamento. Foi julgado a 14 de maio de 1934, tendo sido condenado a 12 anos de degredo e prisão numa das colónias e à multa de 20.000 escudos. A 8 de setembro de 1934 seguiu para Angra do Heroísmo, no navio “Carvalho Araújo”, tendo aí chegado a 13 de setembro de 1934. Foram quase nove anos que passou no chamado “inferno de Angra do Heroísmo”.

No degredo lutou contra as péssimas condições prisionais, participando nos levantamentos de rancho contra a “comida” e nos protestos contra o espancamento individual e coletivo dos presos e conheceu várias vezes o isolamento. Devido aos maus-tratos e às desumanas condições prisionais, a sua saúde deteriorou-se a partir de 1938, o que o leva a escrever ao Diretor da PVDE a solicitar a sua transferência para o Continente.

António Estrela é transferido a 9 de junho de 1943 para o Depósito de Presos de Peniche, onde as condições prisionais nada tinham a ver com o que até aí suportara. Ainda passaria pelo Limoeiro e por Monsanto, tornando a voltar a Peniche, de onde saiu em liberdade a 18 de novembro de 1946. Cumpriu 12 anos, 9 meses e 11 dias de prisão.

Após a sua libertação foi para o Montijo, tendo-se empregado na fábrica Mundet, onde a sua mãe trabalhava.

No final de 1947 regressa a Silves a convite de Dionísio Oliva, que o empregara numa adega para venda de vinho da sua produção. Essa adega passou a ter o nome de “Caixão-à-Cova”, posto pelos clientes, na sua maioria operários corticeiros, junto dos quais António Estrela desfrutava de grande popularidade. Nos finais dos anos 60, já como proprietário, abriu novo estabelecimento, em sociedade, no mercado municipal.

Apesar de afastado das lides políticas, António Estrela esteve sempre sob vigilância policial. A PIDE era uma visita constante da taberna. Em 1969, António Estrela fez parte da Comissão Democrática Eleitoral em Silves.

Depois do 25 de Abril continuou a sua atividade partidária no PCP. É uma das referências históricas da resistência silvense, foi um dos candidatos do PCP, pelo círculo de Faro, às eleições para a Assembleia Constituinte que se realizaram a 25 de abril de 1975, mas não chegou a ser eleito como deputado.

António Estrela faleceu a 23 de janeiro de 1998, em Lisboa, tendo sido sepultado em Silves.

  • José António Correia Viola – resistente antifascista, autarca, ex-Presidente da Câmara Municipal de Silves

Nasceu em Silves a 30 de setembro de 1948. Foi aluno da Escola Secundária de Silves entre 1959 e 1964.

Membro do Partido Comunista Português desde 1968.

A sua consciência política democrática leva-o à resistência antifascista enquanto opositor do antigo regime. Desertor de guerra, exila-se a partir de julho de 1970 em Paris. Durante este período desenvolveu a sua intervenção política além-fronteiras, em diversos outros países da Europa, tendo integrado em 1973 a Delegação Portuguesa Clandestina ao X Festival da Juventude e Estudantes, em Berlim, na ex-RDA. Integrou o Comité Internacional dos Jovens Refratários e Desertores, que lutava contra a guerra colonial.

Em Paris fez parte das direções da Associação dos Originários de Portugal, do Clube de Jovens de St. Quen e do Clube Juvenil Português, mantendo de forma ativa a sua intervenção na luta pela democracia em Portugal.

Regressa a Silves em maio de 1974, após a Revolução do 25 de Abril, tendo dado continuidade à sua participação na implementação da democracia e liberdades conquistadas com a revolução, envolvendo-se na organização partidária, no movimento associativo e no trabalho autárquico.

A nível autárquico foi:

- Presidente da Junta de Freguesia de Silves de 1980 a 1985 e Membro da Assembleia Municipal de Silves durante o mesmo período,

- Membro da Assembleia Distrital de Faro de 1982 a 1989,

- Presidente eleito da Câmara Municipal de Silves de 1986 a 1989, e de 1994 a 1997,

- Membro do Congresso da Associação Nacional dos Municípios Portugueses de 1986 a 1989,

- Membro da Comissão Nacional de Turismo de 1986 a 1989,

- Membro da Região de Turismo do Algarve de 1986 a 1989,

- Vereador não permanente de 1990 a 1993 e de 1998 a 2001,

- Membro da AMAL de 1994 a 1997.

Entre muitas atividades participou em 1997, em representação do Município de Silves e na qualidade de observador, em Teerão, na VIII Conferência Geral da Organização das Capitais e Cidades Islâmicas, sendo o único europeu presente.

Integrou as delegações de geminação com Marrocos, Suécia, Espanha e Cabo Verde.

Homem interventivo ao nível do associativismo, da cultura e da história local, foi Presidente da Direção da Sociedade Filarmónica Silvense (1980-1981) e Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Silves Futebol Clube de 1986 a 1990. Foi sócio fundador e membro da direção da Associação de Estudos e Defesa do Património Histórico-Cultural de Silves e do Centro de Estudos Luso-Árabes de Silves. Fundador do SAAL – Serviço de Apoio Ambulatório Local de Habitação nos núcleos do concelho. Foi, ainda, fundador e diretor da Associação de Amizade Portugal-URSS (núcleo local).

Dedicou grande parte da sua vida à terra que o viu nascer.

  • Dr. Vitor José Cabrita Neto – resistente antifascista, político, ex-Secretário de Estado do Turismo, empresário, dirigente associativo.

Nascido em 1943, cresceu em São Bartolomeu de Messines onde fez a escola primária e passou a sua infância. Em 1953 deu continuidade aos seus estudos, no Liceu de Faro. Em 1961 ingressou no Instituto Superior Técnico, em Lisboa.

O seu sentido cívico levou-o ao envolvimento nos movimentos e ações estudantis da época e, em resultado da sua participação na crise académica de 1962, foi preso pela PIDE e forçado a deixar a universidade.

As perseguições da PIDE levaram-no a abandonar o país, rumando a Itália, onde se matriculou na Universidade de Génova. Passou onze anos no estrangeiro durante os quais, além de estudar e trabalhar, se dedicou à luta contra o regime do Estado Novo e à defesa da democracia. Esteve ao lado das forças políticas portuguesas emigradas na Itália, mas também colaborou com outros emigrados em França, Suíça e Argel, na denúncia da política repressiva do regime.

Regressou a Portugal após o 25 de Abril de 1974, participando durante vários anos na vida política portuguesa. Militante e dirigente proeminente do PCP, foi responsável pela sua Secção de Informação e Propaganda (SIP) e integrou a Organização Regional do Algarve.

Em novembro de 1997, foi convidado para Secretário de Estado do Turismo, cargo que ocupou até abril de 2002, nos XIII e XIV Governos Constitucionais dirigidos por António Guterres. Foi ainda Deputado pelo Partido Socialista na IX Legislatura, pelo círculo eleitoral de Faro. Nessa qualidade, foi membro da Comissão de Economia e Finanças e da Comissão de Execução Orçamental.

É Presidente do Conselho Geral da Universidade do Algarve e do NERA – Associação Empresarial do Algarve, Vice-Presidente da AIP e membro da Direção da CIP-CEP (Confederação Empresarial de Portugal). É presidente da Comissão organizadora da BTL (Bolsa de Turismo de Lisboa).

Dirige o grupo empresarial Teófilo Fontainhas Neto, com sede em S. Bartolomeu de Messines e que comemora em 2020 o seu 80º aniversário.

Conferencista, articulista, ensaísta na área do Turismo, colabora com várias instituições e com a OMT (Organização Mundial de Turismo), tendo sido membro do seu Conselho Estratégico (2001-2008).

Foi Cônsul Honorário de Itália, no Algarve.

Em 2005, foi condecorado pelo Presidente da República Jorge Sampaio, com a Ordem do Infante D. Henrique, Grau Grande Oficial. Foi também condecorado, em 2016, com uma das Medalhas do Turismo pela Região de Turismo do Algarve. É um dos maiores especialistas portugueses em Turismo.

Defensor da região do Algarve e do seu papel na economia nacional, tem desenvolvido um papel fundamental no despertar das consciências para a implementação de ações concretas na promoção dos seus recursos e desenvolvimento sustentável e pela sua afirmação política.

  1. Distinção Municipal – Prémio Arte e Cultura
  • Dr. Teodomiro Cabrita Neto – historiador, professor, jornalista, dramaturgo, ensaísta.

Natural de São Bartolomeu de Messines, nascido em 1938, aos 16 anos parte para Faro para completar os seus estudos. Enquanto trabalhador estudante foi leitor da Aliança Francesa e explicador de várias matérias. Concluiu uma licenciatura em História e o doutoramento em “História Política Europeia”.

Ainda enquanto estudante, em 1958 e em resultado do convívio com Arnaldo Vilhena, médico intelectual e antissalazarista, começa a colaborar no Semanário “O Algarve” como publicista.

O seu trabalho jornalístico tornou-o alvo da PIDE e dos seus interrogatórios intimidatórios, o que o leva a sair do país em 1962. Iniciando um longo percurso de estudo e de trabalho em diversas cidades europeias e do Norte de África.

Professor universitário em França, onde se mantém até à jubilação, é também lá que desenvolve atividade literária e jornalística, nos jornais “La Gazette de Genéve”, “L’Espoir” e “Aujourd’hui”.

A partir de maio de 1974 começa a repartir a sua vida profissional também com Portugal, colaborando em diversos órgãos de imprensa: “O Algarve”, “Correio do Sul”, “Jornal do Algarve”, “Folha de Domingo”, “Barlavento”, “Olhanense”, “Diário de Notícias” , “Jornal das Letras” e “Terra Ruiva” desde as primeiras edições.

Publica mais de uma dezena de títulos, de romances e obras no âmbito da história regional, e também várias peças de teatro, algumas delas já representadas. Publica também algumas obras em língua francesa, algumas traduzidas para inglês e alemão. São exemplos da sua extensa obra: “Les Noces de Manolo”, “As tentações de Maria Lua”, “Vitoria das Amendoeiras”, “O Processo do guerrilheiro”, entre muitas outras.

O talento e a obra realizada foram já reconhecidos com a atribuição de vários prémios, nomeadamente o Prémio de Imprensa Samuel Gâcon, o Prémio Internacional de Imprensa e o Prix Antoine Guichard, Prémio Infante D. Henrique. Recebeu igualmente a Medalha de Mérito Ouro da Cidade de Faro. É uma das personalidades inseridas no livro “Notáveis Messinenses – Vivências e Contributos”, editado pela Junta de Freguesia de São Bartolomeu de Messines em 2009. No corrente ano viu, o seu nome ser atribuído a uma rua na sua terra natal.

Tal como o seu conterrâneo João de Deus tem procurado combater a iliteracia, sobretudo na área da cultura e da história, sendo uma das principais referências no Algarve, ao nível da compreensão, valorização e defesa cultural da região nas suas dimensões histórica, artística, social, politica e económica.  

Homem de vasto conhecimento, tem sido um grande promotor e divulgador da história, do património e das pessoas da sua terra natal, à qual permaneceu sempre ligado.

  • Dr. João Manuel Rocha de Sousa – Artista Plástico, Professor, Crítico de Arte, Escritor.

Natural de Silves, nascido em 1938, diplomou-se em pintura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa.

Docente (aposentado) na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, participou nos órgãos diretivos e científicos desta instituição.

Como Professor Universitário, dedicou grande empenho à reforma do Ensino Superior Artístico, sendo importante protagonista na revisão curricular nas Belas-Artes que se seguiu ao 25 de Abril de 1974, contribuindo para a criação de um novo perfil de competências de gerações de jovens estudantes, que viria a permitir a integração da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa na Universidade de Lisboa.

Integrou a comissão de instalação técnica e científica da Universidade Aberta, onde desempenhou ainda funções como docente no âmbito da cadeira de Mestrado Tecnologia do Vídeo. Nesta Universidade, foi responsável pelo apoio à montagem digital e à criação de conteúdos didáticos, que foram referência além-fronteiras.

Artista plástico contemporâneo com uma larga atividade artística, expõe no país e no estrangeiro, em centenas de exposições coletivas e individuais, encontrando-se representado no Centro de Arte Moderna da fundação Calouste Gulbenkian. Foi Artista Plástico contratado na Galeria Judite Dacruz. Em Silves expos no Museu Municipal e na galeria do Grupo dos Amigos de Silves.

Colaborou em diversos projetos de criação artística e cultural e escreveu em periódicos da especialidade, como “Diário de Lisboa”, “Colóquio Artes”, “Seara Nova”, “Sinal”, “Artes Plásticas”, “Jornal de Letras”, “Jornal do Fundão”, “Opção”, “Sema”, “Artes e Letras”, “Revista Notícias”, “Esfera”, sendo ainda colaborador no mensário concelhio “Terra Ruiva”.

Participou em inúmeras conferências, visitas guiadas, em paralelo com trabalho de pesquisa e ensaio em cinema e vídeo, com diversos filmes realizados.

Nos anos 70 encontrou-se representado na Bienal de Veneza, ligando o cinema experimental às artes plásticas. Esteve envolvido na produção e realização de várias séries sobre arte para a RTP como por exemplo “Arte Portuguesa”, “As Coisas e as Imagens”, “A Mão”, “O Homem em Desenvolvimento”, entre outras.

Como escritor, no plano literário, é autor de uma vasta obra bibliográfica, centrada em estudos de carácter pedagógico, didático e técnico, como por exemplo “Didáctica Educação Visual”, entre outros, a tese “Mobilidade Visual, aparência e representação”, e ensaios monográficos sobre artistas portugueses seus contemporâneos.

Da sua autoria temos ainda inúmeros ensaios, romances e obras teatrais, dos quais se destacam os títulos “Amnésia” (teatro), “Angola 61 - uma Crónica de Guerra”, “A Casa”, ““Estudos sobre Silves”, entre muitos outros.

Crítico de Arte, Membro da Secção Portuguesa da Associação Internacional dos Críticos de Arte, Membro dos corpos de gestão (Direção e Conselho Técnico) da Sociedade Nacional de Belas Artes, onde também lecionou no Curso de Formação Artística; Membro Correspondente da Academia Nacional de Belas Artes; Membro fundador da Associação para Defesa do Património Histórico e Artístico de Silves, na qual desenvolveu e participou em inúmeras atividades no âmbito dos estatutos da referida associação, participou em diversos Congressos nacionais e regionais, incluindo as Jornadas de Silves desde 1992.

Os dados aqui sintetizados não cobrem a vasta obra de Rocha de Sousa, nos seus diferentes géneros, mas são demonstrativos do génio deste artista silvense.

  1. Distinção Municipal – Prémio Jovem Revelação:
  • Rodrigo Gomes

Nasceu em São Bartolomeu de Messines, em 1991, é licenciado em Escultura pela Universidade de Évora, pós-graduado em Arte Sonora e mestre em Multimédia pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Tem formação em Design de Comunicação Multimédia, que tirou na ETIC Algarve.

Este jovem artista tem alcançado notoriedade nos últimos anos, com destaque para a exposição individual Como depositar imagens no banco (Appleton, 2018), a participação no FUSO'18 - Festival Internacional de Videoarte de Lisboa com a obra Jardim Ultravioleta e a premiação na 2ª Edição do Prémio Sonae Media Arte em 2017 com o projeto Estivador de Imagens.

O Prémio Sonae Art é o maior prémio português de incentivo à produção de arte na área dos novos media, com um prémio no valor de 40 mil euros. A peça premiada - Estivador de Imagens - foi exposta, juntamente com as restantes peças finalistas, no Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, em Lisboa. Esta peça baseia-se na reflexão sobre a temática das guerras à distância, um conceito que tem vindo a alterar a maneira de olharmos para a guerra. Como nos diz o próprio criador, «cabe-nos a nós decidir se queremos continuar a tomar o controlo ou se deixamos que as ferramentas se tornem mais automatizadas. E o que é que isso implicará... Caso contrário, uma completa automatização das ferramentas ou uma total dependência da inteligência artificial fará com que tenhamos que mudar a própria definição da palavra criar e destruir. E acho que existir também».

Em maio, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian é convidado a estar presente numa das mais importantes bienais de media art da Europa - 18° Bienal Media Art WRO em Wroclaw na Polónia, apresentando o trabalho Jardim Ultravioleta.

Fonte: GRP do Mun SilvesDiaMunicipioSilves

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