Telemóveis no Colégio Internacional de Vilamoura | Quando estar "ON" e quando estar "OFF"

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São 09h45 da manhã. Estamos numa aula de Educação Visual com uma turma de 9.º ano. Os alunos são desafiados a procurar uma boa imagem para ilustrar uma maçã. O professor coloca a caixa, identificada com a etiqueta referente à turma, no centro da mesa de trabalho, e os alunos retiram desta o seu telemóvel. O professor recorda aos estudantes que o uso deste recurso audiovisual deverá ser acompanhado de duas premissas: o dispositivo deverá ser colocado no silêncio e o aluno deverá inibir-se de responder a qualquer notificação ou SMS.

Na posse do seu telemóvel, cada aluno procura a imagem que mais lhe agrada com base em determinadas linhas orientadoras, e dá início ao seu trabalho de ilustração, a lápis, numa folha de papel em branco A4. No final do exercício o telemóvel é de novo desligado e regressa à respetiva caixa, onde é mantido em silêncio e guardado até ao final do dia. Esta é, desde 2015, uma regra aplicável a todos os alunos até ao 3.º Ciclo/Junior Secondary School. Os restantes alunos (do 10º ao 12º anos e do Year 11 ao 13) deverão desligar o telemóvel e arrumá-lo no cacifo durante as aulas.

Na aula de Educação Visual, os alunos comentam: “o telemóvel é uma ferramenta mais prática, menos volumosa” em relação ao computador, um instrumento de trabalho usual em turmas do 1.º ano em diante desde o início do projeto Lap-Top na sala de aula em 2007-2008. “Normalmente recorremos ao manual, mas com o telemóvel podemos escolher a nossa própria imagem, a nossa própria maçã”, e “com os tons desejados”; “podemos aumentar a imagem, os pontos de luz, ver melhor as sombras…”, “temos mais qualidade”. Entre o grupo também há opiniões contrárias: “não há muita diferença entre o uso do livro e do telemóvel”. Mas todos reiteram que, quando ligam os seus telemóveis, “o impulso de ir ver outros assuntos é grande” e “por vezes acontece, mas por pouco tempo”.

Nas aulas de Física e Química do 11.º ano, na ausência de computador, o aluno pode recorrer ao seu telemóvel. Por exemplo, “ao trabalhar com reagentes, usamos muito o telemóvel para saber quais os símbolos de perigosidade e a forma como estes devem ser manuseados com segurança”. No Laboratório, torna-se mais prático usar o telemóvel do que o computador”, refere o professor da disciplina.

Também nas sessões do Ecoclube os alunos são convidados a usar o telemóvel para registo das atividades dinamizadas (fotos e filmes). “Em saídas de campo é muito útil para usar o GPS ou simplesmente para telefonar entre grupos quando se deslocam em caminhadas ou passeios de orientação”, refere o professor.

Numa altura em que se debate cada vez mais o uso dos telemóveis nas escolas (França aprovou mesmo uma lei que pretende interditar que os estudantes usem o telemóvel a partir de 2019), a Direção Pedagógica do Colégio Internacional de Vilamoura faz uma retrospetiva das medidas tomadas em relação ao uso deste recurso em período letivo.

Foi para responder ao “uso desajustado” e ao “fator de dependência” inerente observado durante os intervalos, que o Conselho de Direção do CIV decidiu, em maio de 2015, estabelecer algumas regras para o uso de telemóveis em contexto escolar. Esta reflexão teve em consideração que “quase todos os alunos a partir do 5º ano/Year 5 traziam, à altura, telemóvel para o colégio”; que, “apesar das orientações da escola, muitos não guardavam os telemóveis nos cacifos nem os desligam durante o período letivo” ou que “muitos dispunham de internet livre nos seus telemóveis, potenciando a consulta de portais e fontes não fidedignas e/ou recomendáveis.”

Assim, há três anos que a rotina segue os trâmites então decididos: os telemóveis são recolhidos diariamente pela manhã e devolvidos no final do dia. “O CIV encara os telemóveis como recursos importantes, que não devem ser proibidos, mas cujo uso tem de ser efetivamente regrado”. Assim, “sempre que considera oportuno, os telemóveis poderão ser incorporados nos planos de aulas e usados de forma responsável para o desenvolvimento de projetos pedagógicos”.

O uso da tecnologia e o desempenho escolar podem andar de braços dados, sendo para isso necessário trabalhar a ética no uso dessa mesma tecnologia, mostrando sempre ao aluno quando estar on e off. Esta foi uma medida aplaudida pelos pais, bem aceite pelos alunos, ao contrário do que se previa, e que trouxe enormes vantagens ao dia-a-dia dos alunos.

Fonte: CIVTelmoveisCIV2TelmoveisCIV1

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