Baixo Guadiana em Debate | À Conversa com Hugo Mariano

Regionais
Tools
Typography

As diferenças consideráveis entre a paisagem da zona do sotavento do Algarve e a do barlavento não se devem apenas a questões morfológicas ou edafoclimáticas, como também às várias políticas de gestão territorial e turística que têm vingado nesta zona. Tais políticas (ou em muitos casos a falta delas) originaram as diferenças que hoje temos no Algarve, não apenas entre as zonas do barlavento e do sotavento, como também entre o interior e o litoral. E é exatamente a questão da interioridade que se revela a mais difícil de resolver pois implica, entre muitas outras ações, uma mudança de paradigma na abordagem ao território. Nesse sentido, o propósito deste texto é a apresentação de uma estratégia territorial para a zona do Baixo Guadiana e reflete a minha visão para que esse território possa ser mais sustentável.

Quando questionadas sobre o que desejam para o seu território, a esmagadora maioria dos habitantes do Baixo Guadiana recai sobre dois temas que estão interligados: emprego e habitação. Emprego porque com mais emprego, maiores seriam as hipóteses do território cativar os seus próprios jovens e até, quiçá, os jovens das zonas litorais, aumentando assim o número de pessoas que “gostariam” de viver naquele território. Habitação porque é uma das obrigações se quisermos fixar população.

Assim, a minha visão para o território reside na premissa que devemos procurar um território que seja atrativo para os seus habitantes, para o investimento e para os turistas. Genérica, mas unânime, creio que esta visão resume o querer da esmagadora maioria dos autarcas algarvios. Mas como chegar a este território?

O primeiro grande eixo estratégico que aplicará a visão é a necessidade de promover a dinamização e a instalação de atividades económicas e a multifuncionalidade do território. Se, por um lado, necessitamos de criar emprego (preferencialmente de qualidade e com longevidade), por outro precisamos de apostar em várias atividades que se complementem, construindo assim uma oferta diversificada e completa. A multifuncionalidade territorial, quando aplicada ao emprego, resulta na criação de redes laborais que, pelas suas complexas ligações, aportam mais-valias evidentes tanto na estrutura da mão de obra, como na qualidade/quantidade de trabalhadores.

O segundo grande eixo estratégico consiste na promoção da sustentabilidade, valorização da paisagem e numa nova imagem do território. Neste caso, seria necessário um plano de implementação e instalação das energias renováveis, bem como um plano de interpretação do património e cultura que se apresentam sem um macro plano.

Para levar a cabo esta visão, devemos assentar os dois grandes eixos estratégicos em projetos estruturantes que os efetivem, como por exemplo, um programa de incentivos à instalação e/ou inovação de empresas agrícolas que utilizem os recursos endógenos ou adaptáveis ou apoios à instalação de centrais de energias renováveis, com benefícios reais para os concelhos do interior, como seria o fornecimento de energia aos habitantes;  

Exige-se uma nova visão do território e temos de apostar nas pessoas que a levem a cabo.

Hugo Mariano (empresário agrícola, professor, mestrando em Gestão Sustentável de Espaços Rurais).

Fonte: MDCBGHugoMovDemBxGuadiana

BLOG COMMENTS POWERED BY DISQUS