Os Cidadãos com deficiência serão cidadãos de segunda classe?

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Há muito que é evidente que, para além das manifestações de grande apreço e da existência de mandatários da especialidade nas campanhas eleitorais, os cidadãos portadores de deficiência são equiparados a cidadãos de segunda classe, até quanto às condições de que dispõem para tentarem viver com dignidade e qualidade de vida.

A recente crise gripal e de desorganização hospitalar, mais uma vez deixam a nú a situação dos cidadãos com limitações e a falta de consideração que lhes é dedicada.

Se é certo que o centro de medicina de reabilitação do sul é uma unidade de grande valia para todos os cidadãos com deficiência e para os seus cuidadores, não passou em claro a falta de respeito e as diversas manobras de estrangulamento a que este centro foi sujeito pela Administração Regional de Saúde do Algarve e, mais recentemente, pelo Centro Hospitalar Universitário do Algarve.

Depois de convenientemente sangrado de pessoal e das sucessivas manobras dilatórias quanto à recomposição do seu pessoal, o cmr-Sul acabou reduzido a menos de metade da sua capacidade, com um dos pisos vazio e outro reduzido, com consequente prejuízo de quem precisa de se recompor e de melhorar a sua qualidade de vida.

A muitos, por força da situação, tem sido negada a possibilidade de aí serem assistidos e apoiados, para desespero patente dos cidadãos, suas famílias e também dos profissionais do CMR-Sul, a quem não tem faltado dedicação pela causa e pelos seus doentes.

Só que a situação não fica por aqui, todos ouvimos falar da recente contratação de pessoal técnico para o Serviço Nacional de Saúde, sem que isso signifique a recomposição do CMR-Sul. Mais parece que as fotos nos jornais e nas televisões do estado caótico a que chegaram os Hospitais, em especial o de Faro, mercê também dos excelentes comissários políticos e péssimos gestores que têm estado à frente da estrutura do Ministério da Saúde no Algarve, levaram os dirigentes a ocuparem o piso vazio do CMR-Sul com doentes portadores dos vírus e infeções perigosos para os seus utentes de direito.

Ora, quantas vezes cidadãos portadores de deficiência são mandados para casa, mesmo em caso de atividade convulsiva, para não estarem no Hospital sujeitos a contágio. O que se entende, já que o seu sistema imunitário é frequentemente muito débil. O que não se entende é que em vez de criarem condições para que os utentes do CMR-Sul aí possam ser assistidos em crise, seja para lhes ministrarem antibióticos ou anticonvulsivos endovenosos, tenham invadido o CMR com as falhas do Hospital de Faro.

Certamente que quem pensa assim e se recusa a ouvir os cidadãos com deficiência e a criar-lhes condições decentes para serem tratados, invadindo um espaço já exíguo para todos os que dele precisam, não pode ser pessoa de bem nem um profissional capaz de gerir os espaços com isenção e competência.

Chega de comissários políticos, venham os profissionais competentes, que não podemos esperar mais!

A Direção da Associação Movimento DeterminanteMovimento Determinante

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