GAT saúda o Diretor Nacional e pede liderança política para eliminar as Hepatites Virais

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No âmbito do Dia Mundial das Hepatites Virais, que se assinala hoje, o GAT – Grupo de Ativistas em Tratamentos saúda com expectativa muito positiva a escolha do Professor Rui Tato Marinho para o Programa Prioritário para as Hepatites Virais, finalmente autonomizado do Programa do VIH. O GAT quer também agradecer a visita hoje do Secretário de Estado Adjunto da Saúde, o Dr. António Sales e do novo Diretor ao GAT In- Mouraria onde funciona a consulta Descentralizada de VHC em parceria com o CHULC- Hospital dos Capuchos - Dr. Filipe Calinas.

O GAT não pode deixar de alertar para a persistência de barreiras no tratamento da hepatite C, destacando a demora na dispensa de medicamentos, a importância do rastreio das hepatites B, C e D , da descentralização dos cuidados de saúde e a urgência de termos um sistema de vigilância epidemiológica que permita a Portugal saber o que falta fazer. De outro modo continuaremos a trabalhar às cegas.

Pedimos ainda que a dispensa dos medicamentos para o tratamento da infeção pelo vírus da hepatite C (VHC) no momento da prescrição, tal como acontece para o VIH, a tuberculose e as IST. O processo atual é complexo e demorado, é necessária uma aprovação individual de cada pessoa com VHC o que impede que o tratamento fique imediatamente disponível nas farmácias hospitalares, provocando atrasos no início do tratamento e promove o abandono de muitos doentes em situação de vulnerabilidade comprometendo o objetivo de eliminação do VHC até 2030.

Estima-se que existam ainda cerca de 40 a 45 mil doentes com infeção crónica pelo VHC por tratar em Portugal, grande parte ainda por diagnosticar. Estes dados  precisam de ser confirmados com rigor para sabermos qual é a situação de partida, quer para o VHC  quer à VHB. Por se tratarem de doenças muitas vezes  silenciosas, o GAT alerta para a importância do rastreio populacional, pelo menos uma vez na vida e periódico nas populações em maior risco, ainda mais urgente depois de meses em que o diagnóstico e tratamento das Hepatites e outras infeções ficaram parcialmente em suspenso devido à pandemia de Covid-19.

O GAT pede também um investimento na vacinação de pessoas adultas em risco para o VHB, ligado ao esforço de rastreio das não diagnosticados.

Destacamos ainda a importância da descentralização dos cuidados de saúde para a eliminação do VHC, VHB e VHD. Com este objetivo em mente, o GAT e o Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (CHULC) inauguraram, em setembro de 2020, a consulta descentralizada de tratamento da hepatite C. A consulta é dirigida a Pessoas que usam/usaram Drogas (PUD) e Pessoas em Situação de Sem Abrigo (PSSA), que estão entre as populações mais atingidas e que mais ficam para trás no acesso aos tratamentos do VHC.

Desde o início do projeto, já foram referenciadas 47 pessoas com VHC das quais muitas já iniciaram ou terminaram tratamento com cura.      

A hepatite C é uma doença infeciosa e uma das principais causas de doença hepática crónica, podendo progredir para cirrose, descompensação  e representando um aumento significativo do risco de desenvolvimento de cancro do fígado. O teste da Hepatite C é simples e os tratamentos atualmente disponíveis em Portugal proporcionam taxas de cura de 97%, em apenas 8-12 semanas. O tratamento é também um meio eficaz de prevenção da cirrose hepática e do cancro do fígado.

LPMGATHepatites

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