Esta história dos CTT

Solta-mente
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Esta história dos CTT (ou da CTT, visto que já é outra coisa) vender títulos do tesouro à medida que nos envia e recebe as encomendas, andar a cobrar portagens, fazer seguros, créditos à habitação, contas… enfim passar a ser um banco atrás de um símbolo que sempre foi uma referência nacional de confiança para os portugueses… tinha de dar… isto.

A justificação aparece nas pesquisas como um dogma: “(…) a queda do negócio tradicional dos correios e o investimento que foi feito para lançar o Banco CTT obrigaram a empresa a lançar um profundo programa de reestruturação até 2020 “é a mesma em todo o lado. Adorava citar a fonte, mas aparecem em vários autores com o mesmo número de vírgulas e sou levada a crer que é proveniente da própria CTT em comunicado.

Houve burburinho aos anúncios de greve, meio frisson mediático… e depois todos se viraram para as eleições internas no PSD e para o veto do Presidente da República no financiamento dos partidos, como uma gota que aterra e é imediatamente retirada pela escova de um limpa-pára brisas.

Há localidades onde os balcões CTT fazem falta (imagine-se!) como posto de correios tradicional e… para os pensionistas que recebem por esse meio as suas reformas. Basicamente, os mais vulneráveis a esta brincadeira accionista toda, visto que são quem mais dificuldades de mobilidade têm na utilização de outros balcões.

Vai fechar um em Loulé! A autarquia já reclamou, como é óbvio. Não sei se resultará, visto que aquele símbolo vermelho e branco, o tão familiar cavaleiro de trombeta, representante dos Correios, Telégrafos e Telefones já anda a distribuir cartas… na bolsa de valores, encerrando em altas. E esta viragem parece indicar interesse em tudo, menos em serviços à população.

A restruturação visa o encerramento de balcões porque, primeiro eu e tu agora enviamos e-mails e temos telemóveis e… porque ao alienar 70% do capital em bolsa em 2013 e o resto em 2014 aquele símbolo já representa outra coisa. É um banco. Mais um. Tínhamos poucos… e com aquele símbolo de confiança podem até vender bolachas imaginárias, se assim entenderem.

É bom não esquecer que o símbolo é o mesmo, mas a cavalgada mudou. As populações visadas com o encerramento dos balcões deviam unir-se contra. Este assunto merecia mais atenção. E com isto, os postais ainda voltam à moda, por não serem impessoais e fáceis como os bonequinhos da internet. Vintage. Chique, até! Feliz Ano Novo, gente boa!

Selma NunesHistoria CTT

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