Crónica de Natal

Solta-mente
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Enrolei à volta do pescoço da crónica um fio de luzes LED que parece imitar os caleidoscópicos brilhos da neve escandinava ao sol e enfiei-lhe um barrete vermelho refrigerante cabeça abaixo antes que se pudesse queixar que ficava despenteada.

Expliquei a esta mesma crónica que teria de colocar uma meia debaixo da chaminé e aguardar pela meia noite. Encolheu os ombros, em resignação.

Disse-lhe que era a única crónica de Natal que alguma vez escreveria. Pareceu aceitar bem o facto. Não reclamou, como as outras crónicas costumam reclamar. Umas gritam em protesto, outras resmungam baixinho. Esta… nada. Aguentou todas estas agruras como uma verdadeira crónica de Natal.

Foi então que lhe perguntei o porquê de tanta calma, no meio das suas irmãs crónicas, todas elas sempre tão rebeldes, com palavras de ordem. Sorriu, até, com dentinhos de anúncio de televisão, todos direitinhos. Respondeu-me que era da natureza das crónicas de Natal serem docinhas, quentinhas, sem grandes ondas ou pretensões, até porque esperava uma boa recompensa do velhote de barbas.

Sabem? As nossas palavras, independentemente quem as escuta ou lê, mesmo que essas palavras sejam ditas para dentro, são muito importantes, sempre. E definem-nos facilmente.

Esta branda crónica deseja a quem a lê um Natal cheio de palavras positivas, para que as atitudes sejam igualmente positivas. A verdadeira força, às vezes, está nos desaforos que escolhemos não sonorizar para o mundo ou para nós.

Tal e qual o nascimento que celebramos. À parte as obrigações sociais e familiares, fora o consumismo generalizado da época… é o amor que se celebra. Deixem passar os peões nas passadeiras e não façam sinais feios às pessoas dos outros carros. Acima de tudo, tenham um Feliz Natal e aqueçam esses coraçõezinhos que, para frio, já basta o Inverno ter chegado.

Selma NunesFelizNatal Selma

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