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Por una Moneda: a História de um Prego

Solta-mente
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Antes de mais, devo relembrar que as crónicas “Solta-Mente” são artigos de opinião, sem intenção jornalística, desprovidas da capacidade de dolo ou de ferir susceptibilidades. E digo isto pois vou contar mais uma história real.

Em Olhão, as multas em parque de estacionamento sujeito a pagamento por parquímetro são colocadas pelos agentes da Polícia de Segurança Pública. Isto significa que ao contrário de Faro, essas mesmas multas não são de dez ou onze euros. São de trinta euros e equivalem a estacionamento indevido.

Além do valor ser irracional, o que acontece quando há um erro e até se tem ticket? Pague! Pague, pois fica bem pior. Por mais injusto que seja, pague! Pague e não reclame ou duplica, triplica, a não ser que consulte um advogado, o que faz o valor exorbitar e nada indica que não paga na mesma. Parece que está feito para se pagar.

Digo isto perante uma situação anómala e anedótica. Imagine que está a pensar ir às ilhas num Sábado de manhã e que até coloca o dito papelinho. Tendo em conta que apenas o período da manhã é pago, se for colocado valor a mais, o seu “ticket” datará o fim do período, que é Segunda-Feira, certo? Pois bem. Aconteceu isto. Não foi comigo, mas aconteceu.

Um erro, qualquer pessoa comete. A persistência no erro dá voltas ao limite do suportável e faz lembrar o célebre provérbio chinês: ”Por causa de um prego perdeu a ferradura; por causa da ferradura perdeu o cavalo; por causa do cavalo perdeu a mensagem; por causa da mensagem perdeu a guerra”… mas aqui quem se lixou foi o prego, pois é quem tem sempre tendência para ir ao fundo, por não saber nadar ao sabor da corrente.

Por se interpretar mal o ticket, foi colocada uma multa quando o veículo estava em situação regular. Tendo em conta que o trâmite já tinha seguido, deveria ser contestada… e aqui começa o rodopio, digno de tango. Ninguém paga a um advogado mais de cem euros para contestar uma multa de trinta! Foi efectuada cópia do ticket e escrita carta, sem advogado, claro está.

A contestação veio revogada porque alguém achou que o ticket tinha data posterior ao dia da multa (e que quem contestava estava a fazer trapaças). Claro que tem data posterior! Os tostões foram colocados num Sábado, o que fez com que o ticket fosse válido até depois da data da multa. (Os tickets dizem todos: “válido até…” e não “retirado a…”.

O valor, claro está, duplicou e não havia morada para voltar a contestar. Essa informação… só quem é advogado tem. Alguém quer adivinhar em quanto está a multa? Pode resultar em processo de penhora!

Na humilde opinião da autora desta crónica: parece um ciclo vicioso. Parece estar feito para que o prego se afunde na Ria. Contestar assemelha-se apenas uma maneira mais charmosa de dar voltinhas na maré. O prego, como não sabe nadar, não tem como se defender…

A autora nem vai referir o quanto não lhe cabe na cabeça que a multa de parquímetro seja pela nossa PSP. Não por falta de capacidade, mas porque não deveria estar incluído nas tarefas dessa nossa força de segurança… apenas em Olhão!

Selma Nunes

Solta Mente

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