Ser só não é um orgulho. É uma consequência.

Solta-mente
Typography

O mundo está a mudar enquanto festejamos o desporto rei, enaltecendo Ronaldo, o nosso rei sem coroa. E ele corresponde.

Também nunca foi tão verdade a expressão “velho continente”. Velho, desmemoriado, distraído e egoistamente inconsequente, é o que me parece daqui. Que poses são essas?

Vejo nacionalismos. Bacocos, prementes, mofos. O nacionalismo de extrema está a beber de todas as fontes do medo e a aproveitar todas as deixas para que cidadãos amedrontados os ajudem a aceder ao poder. Outra vez! O “velho continente” está sem memória?

Agora tudo ficou instável. Parece que o referendo inglês abriu uma caixa de pandora, que sopra ventos fortes em todas as direções. Ventos que separam em vez de unir. Vê-se da televisão os perdigotos de frustração dos líderes mundiais (e aqueles que o querem ser), originando pequenas raivinhas que atingem as vidas de milhares de pessoas. Nós todos.

Dizem que a União Europeia pode estar no princípio do fim. Dizem que o Reino Unido pode desconjuntar-se. Uma crise de xenofobia internacional que abre fissuras do tamanho do mundo.

Pelos reinos dos algarves cá vamos recebendo quem nos visita. Os festivais chegaram depois dos santos e comemora-se o sol, o calor e as praias em ambiente festeiro. Ao cair da tarde a nossa seleção vai-se apurando pelos mínimos, lá em França, onde todos temos familiares emigrados em segunda e terceira gerações.

Os nacionalismos já só fazem sentido nos jogos de futebol… e mesmo assim, que sejam saudáveis. O mundo é redondo como a bola e estamos todos no mesmo barco.

Já vimos onde nos levam os orgulhos à bandeira. Levam-nos a guerras, desemprego, fome, miséria, xenofobia, racismo, limpezas étnicas, perseguição religiosa… e “orgulhosamente sós” que são pescadinhas de rabo na boca. O “sós” não é um orgulho. No nosso mundo globalizado é uma consequência. Uma má consequência.

Selma Nunes

BLOG COMMENTS POWERED BY DISQUS