Solta Mente: "Frugal Sou eu quando posso!

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Por aquilo que tenho percebido, os países a que têm chamado “frugais” fizeram bloco unido para fechar a torneira à unanimidade europeia. Eu percebo que a Holanda e companhia queiram financiar-se a custo menor que zero, enquanto são paraísos fiscais para algumas empresas portuguesas que, em vez de fazerem anúncios sobre o socorro que prestam à economia nacional, deviam estar a pagar impostos por cá e isso sim, era heroísmo.

Dei-me ao trabalho de ir ver o que significa “frugal” ao dicionário, na internet, enquanto não chegavam lá a acordo. A primeira entrada que me apareceu foi “relativo a frutos”. Para quem não sabe, a Holanda é uma grande exportadora de batatas e cebolas (obviamente, não são fruta), as companheiras Dinamarca, Suécia e Áustria têm um forte sector pecuário, mas pelo que pude determinar, não estão na área da fruta.

A segunda entrada diz: “que é moderado a comer, sóbrio, parco”. Contudo, ao plantar o impasse económico a países que dele dependem numa crise que não foi auto-infligida e que resulta de um contexto pandémico mundial sem precedentes, parece-me que “frugal” é um eufemismo. 

A terceira entrada: “simples, ligeiro” – sim, parece que se juntaram para aligeirar a coisa… para si. A quarta entrada então, arrasa tudo: “próprio de quem é moderado, sóbrio”. Nem vou comentar. Desculpem-me os cidadãos destes países, mas os seus representantes parecem querer fazer agiotagem com a família europeia e depois os malandros são os países do Sul!

Acho que “frugais” é uma palavra simpática. Em 2009-11 não fomos catalogados de uma maneira assim simpática, porquê? Tenho ouvido vozes portuguesas que estão de acordo com este tipo de “frugalidades”. Uns porque acham que estamos a pedir “esmola” e ficam indignados por dentro do peito nacionalista, outros porque são pessimistas e acham que os dinheiros que aí vêm vão ser mal utilizados, pois está provado que “isto” é tudo uma roubalheira. 

Não vou tão longe, pois ainda não sei e não me dedico à futurologia. Pelo que vejo: uma Europa desalinhada, com países poderosos com iguais rombos na economia, os estados membros a virarem-se para os seus umbigos, uma mudança de poderes a nível mundial, um combóio de oportunidades a perder-se e talvez o princípio do fim da união e quiçá da tal globalização. Há, contudo, uma coisa que nunca muda: o respeito pelos mais ricos. “Frugais” é uma alcunhazinha bonitinha para se dar a um conjunto de países ricos que estão a fazer declarações rudes, como rufias, não é? Frugal, frugal, estou a ser eu!   

Selma NunesSoltaMenteFrugal

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