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Solta-Mente: 25 de Abril Sempre e Sem Excepção

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Vivo num país com uma taxa de abstenção avassaladora. Muitas pessoas gabam-se de não ir votar, de serem apolíticas, como se isso fosse uma qualidade e não um defeito. Mas é, e é triste.

Nas últimas eleições, foi eleito pela primeira vez um deputado de extrema direita para a Assembleia da República. Os seus acólitos trabalham muito pela internet, invertendo frases que foram ditas, fazendo bonecos de pessoas e instituições, semeando uma piada aqui, para colher ódios ali, com páginas falsas que começam por ser de apoio à selecção nacional, ou aos bombeiros, ou de vendas e que de repente, começa a ter conteúdos hediondos, criticáveis e populistas o suficiente para serem propagados a uma escala absurda pelos mais incautos e incautas.

Este ano, passamos por Abril e pelo dia 25 em Estado de Emergência e com muitos dos nossos direitos sonegados, por culpa de uma crise sanitária invisível e mortal.

Rapidamente, a decisão da comemoração da efeméride de Abril na Assembleia da República causou uma celeuma incompreensível, já que a mesma casa se manteve em funções durante toda esta situação e tem espaço para o quíntuplo das pessoas que lá vão.

Tirando as “fachadas” saudosistas do costume, que não gostam de Abril “per se” e que são famosas apenas por isso, só percebo estas raivas assim acirradas contra as comemorações, se me puser a cavar mais fundo, até encontrar as pessoas com os cabos dos medos ansiosos emalhados aos cabos das frustrações: estar em casa, em negação, em ácidos por comemorar qualquer coisa, a olhar de lado para os discursos chatos e apertos de mãos enluvadas lá na Assembleia. Só se estando aborrecido de morte é que se considera festa grossa áquilo, quem nem tem catering, nem brindes.

Aos meus pares: não se deixem enganar pelos indignados do costume, aqueles que nunca gostaram do 25 de Abril, para começar. Não se deixem levar por “mêmes” engraçadinhos, e comparação com a Páscoa - ainda vivemos num Estado laico e lamento que choque, mas não é comparável, e denoto, sim, aproveitamento baixo e sujo, sem argumento, na minha opinião.

As páginas de extrema direita, por mim, iam de carrinho, sem dó. Pode parecer paradoxal, mas a anti - democracia não deve ter liberdade de expressão. Se não a quer, não a merece. É até bastante simples: pede liberdade de expressão quem é contra a mesma? Ora, seja-se coerente.

Relativamente às comemorações na Assembleia, só vai quem é convidado e quiser ir. Relaxem, oiçam música e comecem a ir votar (em todos, menos naqueles que querem acabar com o Serviço Nacional de Saúde, que são os mesmos que são contra a democracia).

A meu ver, é necessário que a data não passe em branco. Se ainda precisar de saber porque acho isso, volte-se a ler os primeiros três parágrafos desta crónica. É por isso e por muito mais. Espero, também eu, comemorar o 25 de Abril. Não vou convidar ninguém, logo, o abaixo assinado só será exequível se o meu “Grândola Vila Morena” estiver uns decibéis mais acima do que o aceitável. Também não vou discursar, mas espero almoçar e jantar, como faço todos os dias. Além disso, vai ser Sábado e talvez brinde. Em casa, claro.

Selma Nunes

SoltaMente25Abril

 

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