"Buone dia visina!"
Ela chegou ao nosso bairro há meio ano atrás e de imediato simpatizei com sua forma descontraída e sedutora de comunicar com todos os que já cá viviam.
Seu namorado, dono do apartamento ao meu lado, estava vivendo sozinho há alguns anos e achei genial que ele se tenha apaixonado por uma mulher ucraniana.
Da minha janela, fascinava-me vê-los passar de mãos dadas.
Assim tão bem vestidinhos e tão bem comportados.
Transmitiam-me o supremo sentimento da Felicidade.
Ao fim de alguns meses da Ludwiga habitar no nosso bairro tivemos a primeira noite de autentica desordem... o casal discutiu em altos berros noite afora.
No fim-de-semana seguinte a Ludwiga gritou em sua voz de tenor ao seu namorado tudo aquilo que não gostava nele.
E nos fins-de-semana seguintes ela perdeu regularmente seu control no alcoolismo e abertamente gritou até à exaustão seus problemas... suas dores... suas frustrações...
A minha vizinha Ludwiga já aprendeu a falar em português o Ka++lh+ e o F+da-se e usa-os tempestuosamente e repetidamente em cada fim-de-semana.
E sempre que me encontro na rua com a minha vizinha Ludwiga eu sorriu-lhe abertamente um Bom dia ou uma Boa noite.
Do fundo do meu coração eu compreendo o que se passa com ela!
Como mulher eu compreendo suas dores!!
Como emigrante que já fui eu compreendo suas desilusões!!!
Filó









